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Horizonte – Poesia

Entrada postada em Mar 07 2007

Horizonte

A quantos passos do passo certo? A quantas lágrimas, suor e sangue? A quantos sóis para a primavera?

Talvez tudo muito bem perto, incerto, saio dos nós e me solto a fera.
Mas me frouxo perguntar: Será mesmo o rumo certo? Estarei aqui ao lado bem perto? Ora, quem pode argumentar, se embrenhar e se encontrar neste meio de algo turvo; sem visão para mirar?

Jogo-me ao nada, cato logo onde agarrar…E só encontro o mesmo rumo, o meio de algo turvo, sem alcance onde tocar. E o grito? Bramo aos quatro cantos, ruminante faminto de infâmias, rogando tudo quanto posso, todas minhas ânsias.

Arremesso pedras, juncos, terras, o resultado de uma era, mundos, as Torres Vedras. Me pergunto, de onde tiro tanta vontade, não é gana ou só maldade?A pergunta é equivocada, penso, não é o meio que vale a pegada. Talvez nem seja uma pergunta, talvez mais o que me desapruma seja o nada.

Sou homem. Não há razão para caminhada, há apenas uma linha torta no horizonte, bem ao longe depois de um monte. Isso é tudo que preciso, eu invento meu motivo, criativo. Esboço imaginação, afinal quem degusta sem a mão é o cão.

Me descubro, é o desejo. Me procuro sem demora, em qualquer ponto na história por sequer vestígio; consciência em litígio, onde está o motivo? Me faz rasgar os caminhos, destruir todo empecilho e ora e vez me questionar: não é gana ou só maldade?

Não é a verdade, nem tão pouco piedade o que me faz andar. Uso tudo que preciso; minto, roubo, eu assobio, sorrio largo as fanfarras, tomo tudo que mereço, mas do motivo não me perco.

Mas descubro ainda trôpego o que me leva a alguma fonte .
É a linha ao longe, tênue, chamada de horizonte.

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Horizonte by Ricardo Alexandre Batista Graça is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.

Ricardo Alexandre B. Graça
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3 Responses to “Horizonte – Poesia”

  1. Lindo. Muito lindo! Parabéns!!!!


  2. Parabéns,Linda poesia!!!


  3. Torres Vedras? Seria uma referência-homenagem ao poeta Pessoa?
    Mas também transborda a visceridade, a emoção abrupta da pena de Augusto dos Anjos.
    Parabéns! Em versos labirínticos, sua arte se mostra no caminho certo.


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